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A NATUREZA CURA


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Curry contém droga contra fibrose cística

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

Em um composto encontrado no açafrão --e também na mistura de temperos conhecida como curry (caril)-- pode estar escondido um tratamento contra uma doença genética incurável, a fibrose cística. O estudo foi feito com camundongos por pesquisadores nos Estados Unidos e no Canadá, mas os resultados indicam que a substância chamada curcumina pode ser a chave de uma terapia para a doença.

A fibrose cística é uma doença hereditária, caracterizada pela produção de um muco mais espesso que bloqueia as vias respiratórias, trazendo tosse crônica e infecções. As secreções também podem atingir outros órgãos, afetando por exemplo o pâncreas e o fígado.

Os tratamentos disponíveis são apenas para os sintomas. Uma vítima de fibrose cística morre em geral com cerca de 30 anos de idade, em meio a intenso sofrimento.

A curcumina é um composto presente nas plantas do gênero Curcuma, conhecidos pelos nomes populares "açafrão" ou "curcumã". O pó amarelo tirado das flores é o principal ingrediente do caril (ou "curry", em inglês), um condimento muito usado na culinária indiana.

A fibrose cística é causada por mutações no gene DeltaF508. Essas mutações afetam a forma das proteína que o gene especifica, a CFTR, que termina retida dentro da célula.

O novo estudo indica que a curcumina ajuda a proteína DeltaF508 a escapar do interior da célula e ir para seu verdadeiro "local de trabalho", a superfície celular, onde ela ajuda na regulação do equilíbrio salino da célula.

Os dez pesquisadores da equipe de Michael Caplan, da Escola de Medicina da Universidade Yale, de New Haven, Connecticut, leste dos EUA, publicaram os resultados dos experimentos em um artigo na revista científica norte-americana "Science" (www.sciencemag.org) de hoje.

"Nós decidimos estudar a curcumina porque ela tem propriedades químicas que são similares às de outros compostos que nós tínhamos usado previamente, para tentar corrigir os defeitos da fibrose cística", disse Caplan.

"Nós tínhamos mostrado antes que compostos que inibem uma enzima celular chamada cálcio ATPase --ou bomba de cálcio-- são capazes de consertar, pelo menos em parte, o defeito da fibrose cística nas células em cultura e em um modelo da doença em camundongo", afirmou o pesquisador de Yale.

Toxicidade

Como os compostos desses estudos apresentavam problemas com toxicidade, os pesquisadores foram atrás de outras substâncias que pudessem inibir a "bomba de cálcio" e não serem tóxicas.

"A curcumina se encaixava nessa descrição, por isso nós decidimos estudá-la e ficamos felizes ao descobrir que ela funciona tanto nas células como, o que é mais importante, no modelo em camundongo", afirma Caplan.

Os pesquisadores alimentaram camundongos que tinham mutação da proteína DeltaF508 com curcumina em doses comparáveis ao que seria possível a um ser humano tomar com segurança, calculadas de acordo com o peso dos animais. A curcumina não é tóxica ao ser humano.

Os resultados foram animadores, pois se notou que, em células do nariz dos camundongos, a curcumina permitiu que a proteína malformada funcionasse sem problemas. Também foi verificado que os animais não tiveram os problemas gastrointestinais típicos da doença.

A curcumina é vendida também como suplemento alimentar, na forma de produtos com dosagem semelhante --fazendo a relação de miligramas do composto por quilo de peso do animal-- ao que os pesquisadores testaram nos camundongos. Eles não recomendam que as pessoas a tomem como automedicação, contudo, pois ainda são necessários estudos clínicos para testar a eficácia no ser humano.

"É preciso notar que o sucesso obtido nesses experimentos com animais não dá garantia alguma de que resultados similares venham a ser obtidos com a curcumina em pacientes com fibrose cística", escreveram na "Science".

Um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, divulgado em 2001, havia mostrado que a curcumina também poderia retardar o aparecimento do mal de Alzheimer, uma doença neurodegenerativa.

Gene pioneiro

O gene cujo defeito leva à fibrose cística tem longa tradição na história recente da genômica. Ele foi descoberto em 1989 por um grupo liderado por Francis Collins, então na Universidade de Michigan, hoje o diretor do Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Genoma Humano dos Estados Unidos (NHGRI, na abreviação em em inglês).

A equipe de Collins localizou o trecho de DNA com as 250 mil "letras" químicas --os chamados pares de bases nitrogenadas-- do gene DeltaF508 e as seqüenciou (soletrou). Além disso, identificou a mutação (defeito) associado com 70% dos casos da doença.

Apesar de ter sido localizado o gene e esclarecido o mecanismo bioquímico de ação da doença, 15 anos de pesquisa ainda não haviam sido capazes de produzir uma cura nem um tratamento para a fibrose cística.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u11614.shtml
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